XAVANTES EM REIVIDICAÇÕES POR NENHUM DIREITO A MENOS!

 

Por nenhum direito a menos;

XAVANTES EM REIVINDICAÇÕES

Por nenhum direito a menos;

Quem são os Xavante?

Os Xavantes são um povo indígena que vive nas Terras Indígenas ao Leste do Mato Grosso de Areões, Marechal Rondon, Parabubure, Pimentel Barboza, São Marcos, Marâiwatsédé, Sangradouro, Volta Grande, Chão Preto e Ubawawe e ainda ao Noroeste de Goiás nas Aldeias Indígenas de Carretão I e II.

Uma das características marcantes do povo Xavante é o espírito guerreiro. 

O cacique Damião Paradzané convidou mais uma vez a Prelazia de São Félix do Araguaia para ouvi-lo e apresentar algumas situações que tem tirado o sono dele e das demais lideranças das Aldeias.

Segundo o Cacique Damião “os indígenas gostam de autoridade que ajuda e atende”, por isso recorre a Prelazia no intuito de ajudá-los a defender seus direitos e ter suas reivindicações atendidas

Sobre o Cacique Damião Paradzané;

O cacique Damião Paradzané é a principal referência quando se fala da luta pelo retorno dos Xavante para sua terra tradicional. Enfrentando, inclusive ameaças de morte. Damião, que saiu de Marãiwatséde ainda criança, vem fazendo denúncias, articulando seu povo e aliados dentro e fora do país. Damião é a principal liderança no cumprimento da vontade dos mais velhos que pediram para retornar para sua terra natal: Marãiwatséde.

Damião é, para a luta dos povos indígenas de Mato Grosso, um ícone na busca pelos direitos humanos a partir do direito territorial. Luta que se vem fazendo através da resistência de vários povos que ainda sofrem por estarem fora de seus territórios tradicionais ou que têm estes invadidos frequentemente.

O território xavante, chamado Marãiwatséde, está no centro de um eixo de escoamento de soja e gado, motivo qual é palco de tantos conflitos e desentendimentos e até mesmo violação dos direitos indígenas.

O cacique Damião e Padre Aquilino (Padre Xavante-Salesiano) acolheu com esperança o Bispo Prelatício Dom Adriano Ciocca Vasino e a equipe da Prelazia do setor de comunicação da mesma e as irmãs Luzinete e Jane da Congregação de São José de Novara, que vieram conhecer a realidade e quem sabe num futuro próximo desenvolver alguma ação junto da comunidade indígena.

Ao chegarmos na Aldeia Aõpa, uma roda de conversa, já iniciava no intuito de elucidar os fatos e apresentar o motivo do referido convite.

Padre Aquilino Xavante lembra da importância da Prelazia que sempre apoiou e está ao lado da comunidade indígena e diz que o comunicado será dado assim pelo Cacique Damião.

Logo em Seguida em novo do Povo Xavante Cacique Damião, saúda o bispo e relembra do compromisso de Dom Pedro Casaldáliga com a comunidade e exalta porque mesmo pós a morte o compromisso firmado se mantém de pé.

Dom Adriano faz também a sua manifestação de apoio e solidariedade e relembra a necessidade de estar ao lado dos pequenos e perseguidos

Xavantes pedem mais atenção à saúde

O cacique Damião Paridzané relatou que a população sofre com a falta de assistência à saúde e afirma que o povo indígena está esquecidos.

Eu, como cacique, já cobrei muito. Esse recurso que o governo repassa para o Ministério da Saúde foi para onde? Cadê o atendimento da saúde? Cadê a recuperação da saúde do índio, os índios estão morrendo”, questiona.

O cacique conta que tem relatos, de povo indígenas morrendo devido a falta do básico. “É uma tristeza. Afirma o Cacique e afirmam que médico e enfermeiro são os trabalhadores de campo, culpa maior são as autoridades e a falta de repasses e verbas, pelos órgãos e autoridades. Quem cuida da saúde do índio fala que é desnutrição, mas tem também o outro lado que é a falta de atendimento à saúde, falta de tratamento especial. ” Segundo o cacique, na aldeia, faltam medicamentos e equipamentos básicos (Maca, Luva, material para saturação, inclusive no atendimento as doenças crônicas mais comuns como diabetes, pressão arterial com suas alterações entre outras) …

Em dialogo e conhecendo melhor a aldeia, foi perceptível o descaso com um único médico que atende as Aldeias e 1 técnica de enfermagem indígena que contribui referente mais na comunicação, mas é muito pouco para atender toda uma extensão. Quem trabalha com essa população percebe as dificuldades enfrentadas não só pelo povo Xavante. Padre Aquilino Xavante explica que a deficiência na atenção à saúde ocorre de forma generalizada.

Damião conclui que “É uma deficiência estruturante por parte da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), que tem apresentado uma série de problemas de gestão da política de atenção à saúde indígena que reflete, infelizmente, na falta de assistência, na falta de medicamentos e na falta de estrutura para transporte. Não existe sequer uma ambulância, nem uma prancha de resgate, dificultando o atendimento em caso de quedas e fraturas Isso, no caso de Marâiwatsédé, é perceptível.” 

A SESAI é ligada ao Ministério da Saúde e é o órgão responsável pela atenção aos índios.

Para o cacique, o problema não é causado pela falta de dinheiro, mas pela má gestão e questiona de quem é a culpa, se é o “Ministro da Saúde, do Governo ou quem trabalha dentro”. Ele afirma que tem conhecimento do repassa recursos pelo Governo, para o povo que não é índio e que afirma cuidar, mas quando ele cobra referente a saúde do índio a resposta sempre é a falta de recurso. “Isso é mentira. A gente conhece”, diz Damião.

Damião também relata a morte de uma indígena, por negligência no atendimento e falta de medicamentos,

Para melhorar a vida em Marâiwatsédé, a comunidade tem investido no reflorestamento e na plantação. “O governo ajudou a fazer a plantação das mudas para reflorestar. Junto com a Funai, estamos trabalhando, plantando mudas de banana, de pequi, de frutas para recuperar a mata”, conta o cacique.

Ainda sobre a BR-158

Em relação o desvio prometido aos Xavantes, para deixarem suas terras livres, o Cacique afirma que tem cobrado ao DNIT e as demais autoridades, e que está aguardando que comecem o quanto antes.

Ida aos Xavantes em Brasília e apoio ao Governo

 

`Cacique Damião afirma que foi uma vergonha, a manipulação feita e que não representa a opinião de toda reserva indigna dos Xavantes, e diz “ como posso falar bem do governo e apoiá-lo se estamos neste descaso total e minha maior preocupação e que o contato que os indígenas jovem tem tido, fora da aldeia tem influenciado de forma negativa, na vida da comunidade, estão sendo facilmente corrompidos é necessário que os mesmos voltem as origens e valorize a luta que travamos para cuidar do que é nosso”.

Em dados momentos Cacique Damião diz que tem recebidos inúmeras propostas de pessoas que querem fazer plantios, mas que não há negociação, envolve muito dinheiro e o tipo de plantio que querem degrada ainda mais a terra e fere a mata, sua preocupação e desejo que a terra se recupere do período que foi tão agredida e que a mata volte a ser valorizada e que a comunidade Xavante possa voltar seu percurso de sobrevivência e costumes, respeitando as origens e a história de lutas para manter a comunidade viva.

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